quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Formatos de áudio

Frequentemente, envolvo-me em discussões nas redes sociais sobre os formatos de áudio. Nesse post, falarei dos formatos mais populares e focarei mais na qualidade de aúdio, e não no processo de codificação em si.

Esse post será grande, então esteja preparado.

Se você for um audiófilo, certamente não quer escutar música de baixa qualidade. Além dos excelentes fones de ouvidos extremamente necessários, deve-se ter a música em um formato com qualidade.

A melhor qualidade possível é certamente a do vinil. Como isso está distante do século XXI, a melhor qualidade de áudio que temos hoje em uma mídia física é no CD, em um tipo de método conhecido como PCM, que serve para representar áudio em formato digital.

Antes de falar dos formatos em si, vou fazer uma observação. Uma música é codificada a um número de kbps. Um arquivo pode ter 128kbps ou 1536kbps, por exemplo. Quanto mais kbps, mais pesado é o arquivo, mas não necessariamente a qualidade sonora será melhor.

Uma outra observação importante: se você tem uma música em um formato lossy, por exemplo, e converter para um formato Lossless, não vai adiantar nada. O formato lossy já tem perdas. Converter para o formato lossless não irá restaurar ou diminuir as perdas.

Ou seja, os kbps altos existirão, mas os bits não serão preenchidos como deveriam, com o verdadeiro som. Portanto, converter de um formato lossy para lossless poderá até realçar alguns aspectos da música, mas caso isso aconteça, será um efeito leve e não será a qualidade real do som.

O ideal para se ter a melhor qualidade de som possível em um formato digital é importar a música diretamente do CD ou comprar de alguma loja de músicas que disponibilize as músicas em um formato bom.

Existem basicamente 3 tipos de formatos de arquivos de áudio, e vou começar dos que possuem pior qualidade para os que possuem a melhor qualidade.

Lossy

Lossy é uma palavra do inglês que significa "com perdas". Ou seja, o áudio nos formatos lossy apresenta perdas na qualidade.

Mas a grande vantagem dos formatos lossy é que o arquivo perde também o seu tamanho. Em um CD só cabem 800MB. Colocando uma média de 20 músicas no CD, isso dá mais ou menos 40MB por música.

Os formatos lossy tentam comprimir esse arquivo e colocar só o essencial na música. O que seria o essencial? A faixa de frequência audível do ser humano, que varia de 20Hz a 20kHz.

O problema é que nesse processo de compressão, boa parte da qualidade da música é perdida. Mas para um equipamento comum, essa perda é praticamente imperceptível.

Portanto, formatos lossy são perfeitos para usuários comuns, que não se importam tanto com qualidade de áudio. Uma música em um formato desses pesa geralmente 4MB, mas dependendo da duração da música, esse valor varia para mais ou para menos.

Os principais formatos lossy são o MP3, o WMA e o AAC.

O MP3 é o mais popular e não é proprietário. Porém, ele apresenta várias deficiências em sua qualidade. Uma música em MP3 codificada a 128kbps possui uma qualidade razoável para usuários comuns. Mas se esse formato for utilizado em uma festa, com um volume muito alto, a música ficará distorcida e será horrível para ouvi-la.

O WMA é o formato proprietário da Microsoft e surgiu para corrigir alguns problemas do MP3. Ele pode ser até mais leve que o MP3 em alguns casos e sua qualidade geralmente é melhor.

O AAC é o formato proprietário da Apple e as músicas vendidas na iTunes Store estão nesse formato, codificadas a 256kbps. Um arquivo em AAC a 256kbps possui uma qualidade de som melhor que um MP3 a 320kbps. A música em MP3 será mais pesada, mas o arquivo AAC terá uma melhor qualidade sonora.

Isso ocorre por causa do processo de codificação dos formatos. O MP3 nem sempre será o mais leve, e definitivamente não é o que tem a melhor qualidade.

Se quiser algum formato lossy e estiver procurando por qualidade e usar o sistema operacional Windows, vá de WMA. Se utilizar o sistema operacional Mac OS X, vá de AAC. Mas se você estiver procurando por qualidade, não vá de MP3. Ele pode parecer leve, mas os resultados do WMA e do AAC certamente são melhores. Na maioria dos casos, os arquivos desses 2 formatos possuem uma qualidade melhor que a do MP3 e são mais leves.


Lossless

Lossless é uma palavra do inglês que significa "sem perdas". Esses formatos são arquivos comprimidos e o áudio pode ou não apresentar algumas perdas na qualidade, mas geralmente não há perdas.

Os formatos Lossless são bem mais pesados que os Lossy e bem menos pesados que os não comprimidos. A grande vantagem disso é que esses formatos servem como backup de CDs. Quando você escutar a música, o som não será a mesma coisa caso o formato fosse "descomprimido", mas o arquivo será mais leve. E caso você converta para um formato descomprimido, o arquivo ficará intacto.

Ou seja, os formatos Lossless apresentam uma ótima qualidade e podem chegar até cerca de 1000kbps ou um pouco mais que isso. Podem pesar cerca de 30MB, dependendo da duração. E podem chegar a pesar até mais que isso, é claro.

Eles são os formatos ideais caso você não queira perder um arquivo. Uma vez que um arquivo é convertido para um formato Lossy, não tem como voltar ao original com a mesma qualidade.

Mas se um arquivo for convertido do Lossless para o original, a qualidade será a mesma do arquivo original inicial.

Os formatos Lossless mais conhecidos são o FLAC, o Apple Lossless (ALAC, como é conhecido fora do "mundo Apple") e o WMA Lossless.

O FLAC é um formato livre e é bem eficiente. Ele pode reduzir o tamanho do arquivo em mais ou menos 50% do tamanho original. E caso você queira voltar para um formado descomprimido, a qualidade não será perdida.

O Apple Lossless é um formato open source e livre de royalties, mas foi proprietário por muito tempo. Ele tem um processo de codificação similar ao do FLAC. É bem semelhante em termos de tamanho e qualidade sonora.

O WMA Lossless é um formato proprietário da Microsoft e a qualidade de áudio é a mesma do arquivo original. Mas os sinais de áudio são comprimidos. E caso eles sejam descomprimidos, um arquivo exatamente igual ao original é obtido.

Os formatos Lossless são bem similares, já que possuem um único propósito: preservar o arquivo original e diminuir o tamanho dele. O FLAC é o mais suportado por diversos dispositivos, por isso é o mais utilizado.

Formatos "descomprimidos"

Existem basicamente 2 formatos descomprimidos: WAV e AIFF. Os formatos descomprimidos são na verdade uma versão "computadorizada" do formato do CD. Eles possuem exatamente a mesma qualidade sonora do CD, que é muito boa.

Por isso, esses arquivos podem pesar algo em torno de 50MB, dependendo da duração.

Esses formatos também são considerados Lossless, já que não possuem perdas no áudio. Mas quando aparecer/apareceu Lossless nesse post, sempre estarei me referindo/me referi aos formatos Lossless comprimidos.

O Lossless (comprimido) é um formato que possui um tamanho menor e o áudio é comprimido, o que pode reduzir um pouco a qualidade sonora.

Mas os formatos descomprimidos são totalmente descomprimidos. São exatamente iguais aos arquivos do CD. Possuem o mesmo tamanho e a mesma qualidade sonora. Eles possuem uma qualidade sonora melhor do que qualquer outro formato. Um Lossless pode ter uma qualidade semelhante ou até mesmo igual, mas os bits são comprimidos. A melhor garantia de um arquivo digital com a melhor qualidade possível são os formatos descomprimidos.

E os dois formatos mais populares são exatamente iguais. A diferença básica entre eles são os bits iniciais, que servem apenas para identificá-los.

O WAV é um formato muito utilizado por aparelhos profissionais que gravam áudio e ele é um formato suportado por diversos dispositivos e foi criado pela Microsoft.

O AIFF é um formato criado pela Apple e é amplamente suportado pelos aparelhos da empresa.

Use o que for mais conveniente para você. O formato WAV se dá melhor com computadores rodando o Windows, e algumas pessoas relatam que a qualidade dele é até melhor que a do AIFF no Windows.

O formato AIFF se dá melhor com computadores rodando o Mac OS X e ele parece ter uma melhor qualidade no Mac do que no Windows.

Apesar disso, a qualidade dos dois formatos é exatamente igual.

Com isso, depois desse enorme post sobre formatos digitais de áudio, é possível ter uma ideia melhor de qual formato utilizar para suas músicas. Use o que for mais conveniente. Se for uma pessoa comum, até o MP3 serve. Se quiser algo com mais qualidade que não ocupe tanto espaço, tente o AAC, por exemplo.

Se quiser uma qualidade ainda melhor com um arquivo grande, mas nem tanto, use um formato Lossless. Recomendo o FLAC porque é suportado por uma gama maior de dispositivos.

E se quiser um formato totalmente descomprimido, com a garantia da melhor qualidade de áudio possível, escolha um dos dois que sugeri, vai depender de qual ecossistema você usa.

Para experimentar uma qualidade boa, até mesmo em um formato relativamente ruim, compre fones bons. Depois, se quiser tentar melhorar a qualidade do áudio, tente importar o CD de novo para um formato melhor.

Quando a pessoa compra fones bons, ela escuta detalhes da música que não escutava antes. E quando a pessoa converte a música que possui para um formato melhor, esses detalhes ficam ainda mais evidentes nos fones bons.

Não adianta nada ter uma música em AIFF, por exemplo, e não ter um fone bom que realmente mostre todas as características dessa música. E não adianta ter um fone excelente de US$1000, por exemplo, e continuar escutando músicas em MP3 codificadas a 128kbps.

Experimente ouvir música de qualidade, você não irá se arrepender e não vai querer sair desse mundo! E tenha um bom espaço de armazenamento para isso, é claro!

Qualquer dúvida, contate o Tecnologite e poste suas experiências com áudio nos comentários.

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7 comentários:

  1. Nem li o post inteiro, mas já afirmo que há varias coisas erradas no primeiro período do segundo parágrafo... A melhor forma de se ouvir música é ao vivo... A melhor mídia é a vinil e não é algo distante do século XXI porque vários álbuns ainda são lançados nesse formato (não álbuns, mas singles) e vários são as marcas que disponibilizam aparelhos para reproduzir esse conteúdo... Na Fnac mesmo tem...

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    1. Ouvir música ao vivo: o equipamento utilizado como caixas de som, microfone e etc provavelmente não possuem a melhor qualidade sonora possível. Claro que é um equipamento bom, mas não chega a ser a melhor qualidade sonora disponível. As caixas de som podem muitas vezes não possuir drivers que oferecem um som extremamente puro e o microfone pode não ser o melhor de todos.

      Escutar música "no vinil" certamente é a melhor forma de escutar música. O som é o mais puro possível, desde que o equipamento seja bom também.

      Mas escutar música ao vivo não é tão ruim assim. A qualidade certamente não é ruim, mas não é a melhor disponível. E o volume é tão alto que chega a ser desconfortável.

      O vinil é algo distante do século XXI sim. É claro que diversos vinis ainda são vendidos, mas não são nem de longe a forma mais vendida de música.

      Além disso, singles são em sua maioria vendidos digitalmente. Eu nunca ouvi falar nos últimos anos de um single exclusivo no vinil, sempre há a versão digital dele, lançada apenas como um single mesmo, um álbum com apenas uma música.

      O mercado do vinil ainda existe, mas em um mundo onde no momento várias pessoas estão brigando contra leis antipirataria para que continuem a baixar músicas pirateadas e muitas outras pessoas compram músicas, o vinil é algo distante da realidade da maior parte da população sim. Uma criança de 8 anos sabe baixar músicas da internet mas não deve nem saber o que é um vinil direito.

      Os audiófilos certamente possuem e escutam alguns vinis, mas convertem (ou deveriam converter, pelo menos) seus CDs (não conheço nada que converta vinil) para FLAC a fim de que escutem músicas com uma qualidade ótima, podendo colocar sua coleção no tamanho e formato originais a qualquer momento. A qualidade do vinil é melhor, obviamente, porém esse mercado não está ativo como há 20 anos, por exemplo.

      E o "novo audiófilo" é digital, ninguém quer mais saber de vinil. É indiscutivelmente bom, mas é "coisa do passado".

      Existem os "velhos audiófilos", que irão preferir o vinil e os CDs, mas até por uma questão de espaço e comodidade, os formatos digitais já ganharam a "batalha" no século XXI, porque o século já começou com o Napster facilitando a música digital e mostrando que os formatos analógicos perderão espaço nesse século.

      Tanto é que logo após o Napster, a indústria de música digital explodiu (em termos positivos) e o mercado analógico está cada vez mais perdendo espaço. A música nesse século é digital.

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    2. Entendo, mas o a ideia que se passa em seu texto é que o mercado do vinil não existe e a música ao vivo que sido é a do próprio instrumento, por exemplo, um violino, uma bateria, um triângulo....
      Mas o mercado de vinil não é algo acabado, mas não é acessível a todos, pois, bem, nunca foi...

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    3. O mercado do vinil não está acabado, ele só é bem menor do que antes. Há quem compre por causa da qualidade de som, mas na rua é impossível ouvir músicas em um vinil. O vinil nunca foi acessível, mas hoje o mercado diminuiu consideravelmente. Ele existe, mas a ideia que quis passar é que em comparação ao mercado de músicas digitais ou ao mercado de vendas de mídias físicas (CD), o vinil vende pouco. Mas ainda existem vendas, é claro.

      A música ao vivo pode ser com esses instrumentos que não precisem de amplificadores sim, mas se for algo como um sintetizador ou uma guitarra, aí a qualidade já dependerá do equipamento utilizado mesmo. Ainda assim, a qualidade do som de um saxofone ao vivo, por exemplo, é a mais pura possível para um saxofone, pois a pessoa estará escutando com os próprios ouvidos.

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  2. As informações, após a leitura integral do post, estão bem concatenada, mas o "mas" lá em cima achei meio desnecessário...
    Você falou que o MP3 é uma bosta mas esqueceu-se de relatar do formato que está em ampla ascensão e provavelmente substituirá o MP3 no futuro, o OGG...
    Fora isso, excelente post!

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    1. O OGG ainda não é tão popular assim, quis focar nos mais populares mesmo. Mas ele certamente poderá ganhar espaço no futuro, porque é melhor que o MP3. Ainda assim, ele só irá fazer sucesso se estiver atrelado a alguma loja de música, já que a pirataria tenderá a acabar ou a reduzir drasticamente. Mas vamos esperar para ver o que o futuro nos reserva. Esses arquivos ainda tem muito pra mudar!

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  3. A música ao vivo não tem de ser necessariamente melhor, pois depende de muitos factores: instrumentos, acústica da sala, etc. O vinil é o melhor porque é gravado em estúdio com ausência de ruídos parasitas. O Silver 472 tem razão no que diz...e conhecimento!

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