sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ontem, a Apple revolucionou a educação

O método atual de ensino foi criado na Idade Média e é utilizado desde então. Esse método consiste em um professor em uma parte mais elevada, para demonstrar poder, e alunos enfileirados em carteiras, para demonstrar submissão.

Além disso, a aula na Idade Média não era interativa. Os professores falavam, os alunos ouviam e "aprendiam".

Hoje, sabemos que isso mudou. As aulas são bem mais interativas se comparadas à Idade Média e os alunos interagem muito mais com os professores e com os conteúdos das aulas.

Ainda assim, os alunos mais disciplinados carregam pelo menos 5kg de materiais escolares. Se isso for carregado em uma mochila nas costas, quando a pessoa for mais velha, ela terá sérias complicações na coluna.

E muito papel é utilizado e até desperdiçado. Não quero soar um ecochato, mas olhando pelo lado da ecologia, a quantidade de papel gasto para fazer livros e cadernos é absurda. E na maioria das vezes nem todas as páginas do livro são utilizadas e nem todas as páginas dos cadernos são utilizadas. Ou seja, elas são desperdiçadas e jogadas no lixo.

E atualmente, no Brasil, um livro didático bom custa em torno de R$200.

Escrevo esse post ainda no dia 19/01, mas vocês provavelmente só verão no dia 20 e ele só será publicado no início do dia 20.

Ou seja, ontem, no dia 19 de janeiro de 2012, a Apple revolucionou a educação. A médio/longo prazo. Se as coisas andarem rápido, médio prazo.

A Apple mostrou o que é realmente educação. Ontem, ela mostrou para o mundo o verdadeiro conceito de educação, na cidade que também é conhecida como "Big Apple". E se juntar duas maçãs gigantes, acontece uma maçã revolucionária e maior ainda.

Enfim, o que a Apple mostrou de tão especial? Phil Schiller subiu ao palco para fazer o primeiro evento da Apple sem Steve Jobs. E apresentou várias coisas legais.

Primeiramente, o aplicativo iBooks foi atualizado. Isso era de se esperar, porque ele tem que suportar todas as novidades. 

A Apple introduziu o formato dos livros educacionais. É um epub, mas quando ele é convertido e enviado para a iBooks Store, ele vira um formato proprietário. A Apple chamará esses livros educacionais de Textbooks (livros-texto). Na verdade, eles possuem esse nome justamente para mostrar que são muito mais que isso.

Sim, os livros são vendidos na iBooks Store. E a Apple estabeleceu um preço máximo de US$15 (sim, é um livro didático completo por 15 dólares) e estabeleceu o peso máximo de 2GB. Existe um livro com mais de 2GB, mas é um acordo especial.

Falando em acordo especial, a Apple fez um acordo com algumas das maiores editoras educacionais dos EUA, que cobrem 90% desse mercado por lá.

O aluno não aprende o conteúdo. Ele apreende o conteúdo. O livro possui diversas imagens, vídeos, áudio e toda a interatividade proporcionada pela tela multi-touch.

Os livros possuem um modo para anotações. É possível fazer uma anotação sobre o conteúdo e depois é possível visualizar todas em um espaço para isso. E é possível também tocar em uma palavra para obter o significado, como já acontece atualmente em qualquer livro da iBooks Store. Tudo depende do autor, que pode colocar questões e resumos dos capítulos no livro, por exemplo.

E como fazer esses livros? Para isso, a Apple disponibilizou na Mac App Store um app chamado de iBooks Author, que é gratuito. A Apple quer que esse aplicativo chegue ao maior número possível de pessoas, para que os estudantes possam ter acesso a qualquer tipo de conteúdo de qualidade. O app é bem simples e possui interface semelhante ao Keynote, o aplicativo de apresentação de slides da Apple.

E para saber os critérios para a publicação dos livros, recomendo que acessem essa página aqui e essa aqui. Ambas estão em inglês.

Os Textbooks pesam muito. O mais leve pesa em torno de 700MB. Ou seja, se você tiver um iPad de 16GB e for usar para fins educacionais baseando-se nos Textbooks, eu não recomendo. Hoje, no ecossistema da Apple não se consegue viver com 16GB. São muitas músicas, filmes, apps e qualquer tipo de dados que podem ser colocados em iPads. E 16GB são alguns jogos e uma biblioteca de músicas com muitas delas. Se for usar um iPad inclusive para fins educacionais, recomendo o modelo de 32GB, pelo menos.

A Apple também mudou o iTunes U. Agora ele possui um app universal. O iTunes U era destinado à publicação de aulas por parte de universidades. Com as novidades de hoje, a Apple permite também que um professor publique um curso à distância. 

Os cursos possuem resumos, apresentações, detalhes colocados pelo professor e o professor possui um espaço para anotações pelo qual ele pode enviar tarefas para os alunos. O aluno recebe uma notificação quando o professor mandar uma anotação por esse espaço.

O app se integra ao iBooks e pode levar a uma página de um livro. Além disso, os alunos podem marcar tarefas como completas.

Agora os alunos podem baixar os vídeos para serem armazenados no iPad ou podem fazer streaming dos vídeos educacionais. E o iTunes U também possui uma área de materiais na qual todo o assunto é mostrado.

Várias universidades conceituadas dos EUA já aderiram ao iTunes U e agora ele poderá ser utilizado para todos os níveis de escolaridade, então o nome nem faz mais sentido. Mas ainda deve fazer sentido, já que o foco é universitário. Para quem não sabe, U é de "University".

Foram basicamente essas as novidades do dia. A apresentação da Apple já está disponível em seu podcast oficial de apresentações no iTunes e a Apple publicou o vídeo incorporado no fim do post para mostrar algumas novidades.

Ou seja, a Apple facilitou o processo da educação. Agora, o aluno pode interagir muito mais com o professor, até mesmo em sala de aula. O aluno desenvolverá interesse pela matéria. E o peso que o aluno precisará carregar é o peso de apenas um iPad, ou seja, algo em torno de 700g. E tem a questão da portabilidade, porque o iPad pode ser inclusive carregado na mão, sem nenhuma mochila (o que eu não recomendo).

Acima de tudo isso, o aluno interage totalmente com o conteúdo. Ele pode tocar numa molécula de DNA, ver vídeos, ver imagens. Todo o conteúdo fica mais próximo dele, sem que ele tenha que efetivamente sair da cadeira.

E existem apps excelentes para usar o iPad como caderno. Eu poderia até fazer um post recomendando alguns deles. Ou seja, o iPad agora tem potencial para substituir todas as ferramentas atuais utilizadas no processo educacional (livros, cadernos e canetas).

O processo de ensino e aprendizagem fica bem mais dinâmico. Há uma interação e um interesse bem maiores com e pelo o conteúdo do que nos tempos remotos, no início do século XXI. Os livros serão bem mais dinâmicos e interativos daqui pra frente e o conteúdo poderá ser aprendido de uma forma bem melhor se comparada à que existe hoje.

Esses são os verdadeiros livros. Esse é o verdadeiro processo de educação.

Por enquanto, nenhuma instituição brasileira deve abraçar a ideia imediatamente. Ainda assim, com o tempo, elas perceberão que isso muda tudo e vão adotar a ideia. E as editoras brasileiras terão que criar livros excelentes para o iPad, e eu tenho certeza de que isso acontecerá.

As novidades de hoje foram excelentes e certamente revolucionaram a educação. O livro como conhecemos não será mais o mesmo.

Abaixo, o vídeo da Apple que mostra algumas novidades:

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